As revelações dos Espíritos convidam naturalmente a ideais mais elevados, a propósitos
mais edificantes.
Para as inteligências realmente dispostas à renunciação da animalidade, são elas sublime
incentivo à renovação interior, modificando a estrutura fluídica do ambiente mental que
lhes é próprio.
Mas, cada palavra do texto escriturístico tem sua razão. Notemos que o filho pede "o quinhão aos
bens" (méros tês ousías).
E essa expressão é usada duas vezes, nos vers. 12 e 13. Todavia, o evangelista,
também duas vezes, nos vers. 12 e 30, diz que o pai lhe deu, literalmente, "a vida"
(tòn bíon).
Nesse ponto da descida social, parado enquanto olhava os bichos, pode meditar sobre sua situação;
e o
evangelista e médico Lucas sabe dizê-lo com uma expressão psicológica bem adequada:
"entra em si
mesmo" (eis eautón êlthôn), passando a julgar pela razão, e não sob o domínio dos sentidos.
Luc, 15:11-32
11. Disse pois: "Certo homem tinha dois filhos.
12. Disse o mais moço deles a seu pai: "Pai, dá-me o que me cabe na partilha dos bens.
"Ele repartiu-lhes os meios de vida.
13. E não muitos dias depois, ajuntando tudo, o filho mais moço partiu para um país distante
e lá, por viver prodigamente, dilapidou seus bens.
Em contacto com os ideais da Revelação Nova,
o homem, sentindo dilatar-se-lhe
naturalmente a visão, começa a perceber, com mais amplitude, os problemas que o
cercam.
Aguça-se-lhe a sensibilidade, intensifica-se-lhe a capacidade de amar.
Para clarear a noção da responsabilidade pessoal,
nunca é demais recorrer às lições
vivas da natureza.
No plano físico,
Deus é o fulcro gerador de toda energia,
no entanto, o sol é a usina
que assegura a vitalidade terrestre;
é o fundamento divino do mundo, mas,
a rocha é o alicerce
que sustenta o vale;
é o proprietário absoluto do solo, todavia,
a árvore é o gênio maternal que
deita o fruto;
é o senhor supremo das águas, entretanto, a fonte é o vaso que dessedenta os
homens.
As bases de todos os serviços de intercâmbio,
entre os desencarnados e encarnados,
repousam na mente,
não obstantes as possibilidades de fenômenos naturais, no campo
da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente
consagradas à caridade sacrificial.
De qualquer modo, porém, é no mundo mental que se processa a gênese de todos os
trabalhos da comunhão de espírito a espírito.