Olá,
Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos à devoção,
quando o Mestre narrou com significativo tom de voz:
— Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em plena floresta,
a pretexto de servir a Deus. Ali vivia, entre orações e pensamentos que julgava irrepreensíveis,
e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou a reverenciá-lo com intraduzível
respeito.
Se alguém pretendia efetuar qualquer negócio do mundo, dava-se pressa em
buscar-lhe o parecer. Fascinado pela alheia consideração, o crente, estagnado na adoração sem
trabalho, supunha dever situar toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de
conquistar o paraíso.
Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço comercial,
ponderava, escandalizado:
— É um erro. Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias.