sexta-feira, 28 de setembro de 2012

COTIDIANO - A ÁRVORE ÚTIL

  Olá,

Vão e voltam viajores. Sucedem-se os dias ininterruptos.

A árvore útil permanece, à margem do caminho, atendendo, generosamente, 
aos que passam.



Mergulhando as raízes na terra, protege a fonte próxima, alentando os seres inferiores, que se arrastam no solo. Recolhendo o orvalho celeste, na fronde alta, atende aos pássaros felizes que cortam os céus.

Costuma descansar em seus braços a serpente venenosa. Na folhagem, as aves pacíficas tecem o ninho. A andorinha errante e exausta ganha força nova em seus galhos, enquanto o filhote mirrado ensaia o primeiro vôo.

O viadante repousa à sua sombra.

O botânico submete-a a estudos demorados e experiências laboriosas.

A agricultura apossa-se-lhe das sementes.

Pede o doente a substância medicamentosa. O faminto exige-lhe frutos.

Os jovens arrebatam-lhe as flores.

O podador reclama-lhe o fogo de inverno.

Não raro, seus ramos são conduzidos às câmaras mortuárias, onde chovem as lágrimas de dor ou aos adornos de praças festivas, onde vibram gargalhadas de ironia da multidão.

Em seu tronco respeitável, muitos servos do campo experimentam o gume afiado da foice ao deixar o rebolo.

Na ausência do homem, os animais grosseiros buscam-lhe os benefícios. A lesma percorre-lhe os galhos, o lobo goza-lhe o refúgio.

Seu trabalho, porém, não se circunscreve ao plano visível. Movimentando todas as suas possibilidades, o vegetal precioso esforça-se e respira, para que as criaturas respirem melhor, em atmosfera mais pura.

O mordomo da terra, no entanto, quase nunca vê o serviço integral, não lhe conhece os sacrifícios silenciosos e jamais relaciona a totalidade das dádivas recebidas.

Raramente, dá-lhes um punhado de adubo e nunca se informa, respeito à invasão dos vermes para defendê-la, convenientemente.

Conhecendo-lhe apenas o machado destruidor, se a colheita dos benefícios tangíveis oferece expressão menos abundante.

A árvore generosa, porém, continua produzindo e alimentando, servindo e espalhando o bem, nada esperando dos homens, mas confiando na garantia eterna de Deus.

Médiuns dedicados a Jesus, fixai a árvore útil como símbolo de vossas vidas!... Dilacerados e perseguidos, incompreendidos e humilhados, alimentando vermes e pássaros, auxiliando viajores felizes e infelizes, continuai em vosso ministério sublime de amor não obstante a indiferença do ingrato e o escárnio da foice, convencidos de que enquanto o machado do mundo vos ameaça, sustenta-vos na batalha do bem, o invisível manancial da Providência Divina.


Emmanuel




Do livro Instrumentos do Tempo. Psicografia de Francisco Candido Xavier.

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